segunda-feira, 13 de abril de 2009

cesta.

Destas noites bem dormidas
Me falta o sono que já perdi
Me falta a falta que já tive.
Me faltam as lembranças do que senti
Me visto às dobras
Às vezes, muitas vezes, sem saber o que dizer
Nem pelo dito, nem pelo não dito
Então palavras usadas compram meus pensamentos
Dissolvidos por risos e lágrimas de há tempos
Não foi o tempo que mudou
Foram apenas as flores que mudaram de lugar
Então se chove lá fora...
Esquenta aí dentro
Não julgues nem a si mesmo
Que eu não desejo mal a ninguém.




terça-feira, 7 de abril de 2009

Disfunção.

Rapidinha....

Meu bem,
Olha só o mundo que lhe convém
Veja só, veja aquém, veja bem.
Não pare um segundo além
Que o tempo que lhe resta:
-Atrasado está

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Diário de uma estagiária:

O que seriam quatro horas em um edital de concurso para estágio?
Leia-se quatro horas, não : horas vagas, fins de semana e coisas afins.
Então eu posso ser a chata estagiária meio desaforada e inclinada a insubordinações motivadas, mas poupem o meu cérebro: quatro horas são, até onde se possa ler, apenas quatro horas.
E isto tirou o meu quase sono acordado da tarde.
Fora isto, alguns percalços normais que convém a quem desesperadamente necessita manter um labor.
Alguns sapos engolidos, risos amarelos, piadas corrompidas... e veja só.... a semana santa começa novamente na quinta.
Não, eu não estou reclamando da vida - ainda que esteja.
Estou contestando alguns percalços.
Mas como dizem por aí: estou com a vasilha de "prástico" esperando a primeira moeda cair.
O triste de tudo isto é: tenho que escapar.
Leia-se: tenho que subsistir de alguma maneira de forma independente.
Então ainda que não seja a coisa mais saborosa do mundo.. vá lá, eu realmente não estou na melhor posição de escolha.
E isto se agrega ao fato desesperador de que: os concursos estão aí, a formatura está aí, a OAB está ai, e mais precisamente...... o desemprego está aí.
Me resta uma bela ansiedade e fadiga somada a uma ligeira disfunção gástrica.
Se eu sobreviver a isto: me permita construir uma fortuna e não pegar mais ônibus em frente ao HGV porque isto também está me matando.
Mais do que isto?

de TPM.
E isto explica plausivelmente os fatos narrados.


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sexta-feira, 3 de abril de 2009

Depois, enfim.

Volto eu de novo
Não roubo flores,
Solto presos
Não conto as estrelas
-O céu negro não tem me permitido
Não ponho laço de fita no cabelo
-Riu para o espelho
Faço caso ao acaso
Solto risos altos
E me convém o esperado
De que vale tudo isto?
Acredito em sonhos
Palavras sinceras
Sorrisos maliciosos
Energias positivas
Orações aos domingos
Cadeiras dispersas em mesmas vazias
Túnel do tempo de há pouco tempo atrás;
E o mundo mudou, veja só.
Mudou de lugar, de cheiro, de amar
Mudaram as personagens
O filme,
A triagem
E nem me fale que não se viu,
Não se sentiu
Que agora há um plano concreto
-Incerto
Uma causa constante
Um motivo,
Um instante
Uma forma de ter o que se quer.....
E de poder perder o que se tem.


domingo, 29 de março de 2009

Deste.

Mais do que meio riso tolo.
Incomodantemente
Beijo a testa, o peito a mente.
Atestadamente
Laranja cor do tempo
Em verdes, vermelhos e negros
Assombra o peito que lhe consome
As letras das músicas nunca cantadas
A sombra de metros pintados.
-Lábios curtos
Folhas perdidas em caixas empoeiradas.
Não são palavras que lhe faltam
É só o medo de não ser visto.




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A ausência de si mesmo
Em quartos, lâmpadas e despachos
A ausência que lhe põe medo
Em frestas, lascas e portões desencontrados.
A falta do que não se vê, não se sente e não se crê.
A inconsequente maneira
Inoportuna de ser
De que vale o tempo que te dão
Se só lhe resta o amanhã
Tão logo o dia se põe e você cai de costas ao chão
Não me fale, por favor
Que não digo o dito
Se somos unicamente tolos
Me dê ao tempo um sorriso.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Encontros e Despedidas.

Mande notícias do mundo de lá
diz quem fica

Me dê um abraço, venha me apertar
tô chegando

Coisa que gosto é poder partir
sem ter planos

Melhor ainda é poder voltar
quando quero

Todos os dias é um vai e vem
a vida se repete na estação

Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar

E assim chegar e partir
são só dois lados
da mesma viagem

O trem que chega
é o mesmo trem da partida

A hora do encontro
é também despedida

A plataforma dessa estação
é a vida desse meu lugar
é a vida desse meu lugar
é a vida...


Milton Nascimento, Fernando Brant.

terça-feira, 17 de março de 2009

Sobre o desejo.

Sem nenhum gole de tragos.
Na verdade estava chovendo; nada de praticar esportes. Só podia mesmo cair em alguma confusa elucubração....
Schopenhauer que o diga.
E nós também dizemos.




Me dê um nó.
Me diga ao avesso
Se tudo não é desejo,
De que desejo somos nós?
E se deseja o que não é desejo
Nada é mais do que uma simples condição
A intrusa ilusão do desejo
O mesmo desejo de outrora
Papéis invertidos por mero destino.
Se são desejos?
-Desejos infrutíferos.

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O que se quer nada mais é.
Do que nada que se quis
Porque querer não é apenas
Querer o que diz.
Então se queres ou nada queres
Tanto faz assim,
O querer nada mais é
Do que o que querem para ti.

sábado, 14 de março de 2009

Depois de um tempo....

Venha cá.

Entre os dedos que me comovem

O tempo de 24 horas que já não tenho.

Perdi as palavras no imenso branco e preto.

Perdi o sono de uma hora inteira

Comprei um novo começo para tudo.


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Se é de tempo e em tempo
Me faz dizer o dito
-Eu digo
E por onde fores lá estarei também
Com a velha clareza que nunca encontrou moradia
Lhe divido um copo vazio.
Um cigarro velho e perdido.
Lhe dou a sorte, o azar
A mesma lúcida mania de pensar
Passo afora, vago e impreciso
É disso que nós somos:
Mágico abismo.


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Um tempo assim de poucas palavras, grandes gestos, risos a fora e um turbilhão de sonhos.
Me dói a ausência disto... Mas o tempo está curtinho, curtinho...
Quando posso: papéis têm me servido.
Bom, muito bom.
Apenas demasiado.