quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Vertigem.

Tanto já se foi feito.
E algumas pessoas ainda se assustam.
Como se tudo isto fosse parte de tudo aquilo.
Nem é.
Ou talvez seja.
E se for... de que importaria?
São alguns tragos a mais.
Alguns goles a mais.
Alguns risos a mais.
Algumas histórias a mais.
E nisto lá se vão tantas outras coisas.
Talvez até dispostas de maneira tão distante e tão presente.
E alguns pensamentos recorrentes trazem à tona tudo quanto existe.
É no mínimo curioso este núcleo que faz parte daquele emaranhado de vidas.
Dispostas pelo mundo a fora.
À espera de um segundo.
À espreita de um confuso que mude tudo.
E sim... mudaram tantas coisas.
E há tanto por vir.
Por esperar.
Por acreditar.
Que já nem sei no que estava pensando.
No exato momento do quando.
Ou após a dúvida que tive.

Um passo, um lapso.

Estava na lista.
Como apenas um começo.
39 tragos.
E um pequeno passo além.
O caminho é tão longo.
Quanto a pressa de chegar lá.
E se o lá não existir....
Até onde se pode chegar?





Tá, meu bem:
É estranho.
Olha, meu bem:
Ainda que seja estranho -
Isto não é ruim.
Como nunca foi.
Só é ao nosso jeito estranho.
(Nunca talvez estranho a nós.)
E o tempo tem nos pregado peças:
Tem sido tão curto....
Inversamente quanto a nossa longa-curta espera.
E o que se constrói é guardado.
Num espaço reservado.
É meu bem
Ainda que seja estranho.
É aquele nosso velho jeito de fazer tudo.
(Com a maior alegria do mundo)
E disso não há que se discordar.
Como a graça que nos dá
Quando querem nos dar um nome.

domingo, 10 de agosto de 2008

Papito!

As palavras soam alto.
E sua presença é mais do que o simples estar.
Cada parte deste todo tem sua marca.
Tem sua voz.
Tem sua vida.
É aquele velho menino.
Teimoso.
Zangado.
Altruísta.
De sorriso ás vezes triste.
De olhos cor de esmeralda.
De rugas acentuadas.
É o meu orgulho.
O meu super-herói de verdade.
Meu mundo de sonhos.
Ainda que por algumas vezes não nos façamos entender.
E o que seria do amor se não se pudesse derramar lágrimas?
Nós somos reais.
E eu o amo incondicionalmente.
E o tenho como um espelho do futuro.
Ele me ensinou a lutar.
A acreditar que tudo é possível.
Basta tentar.
Basta sonhar alto.
Basta acordar todos os dias e acreditar que hoje é o dia.
E isso ele ensinou sem dizer uma palavra.
"Porque contra fatos, não há argumentos"
E ele não vive das palavras.
Ele é simplesmente o homem da minha vida.
A quem devo todo o meu imenso amor.





[Historinha]

Sempre que me recordo de algum fato da infância creio que este tem sido o mais recorrente e, de certa forma, aquele que me marcou profundamente - como alguns gestos de tantas pessoas.
Eu tinha 7 anos e era mais descabelada do que hoje - um tanto quanto serelepe. Minha roupa predileta era uma camiseta lilás da LILICA RIPILICA, uma legging preta e um tênis branco com cadarço cor-de-rosa, também da LILICA. Era esta a roupa que eu queria usar naquele dia, afinal, quando se gosta realmente de algo você quer estar impecável para aquilo. E com uma semana de antecedência eu trouxe o convite da escola e entreguei ao papai. Seria uma comemoração dos dias dos pais na sexta-feira que antecede à data.
Papai trabalhava todos os dias de 7 da manhã à 7 da noite e eu o via duas vezes ao dia. E isto nunca realmente foi um problema - eu sempre compreendi o motivo de sua ausência. Então ele me disse que iria e eu fiquei bastante satisfeita. O que ele diz, ele nunca deixa de fazer.
Ensaiei uma coreografia que a "tia" ensinou para a turma. Todos os pais estariam lá e eu queria estar deslumbrante para o meu. Na sexta, quando papai me deixou na escola, confirmou o horário dizendo que estaria lá na hora marcada. Eu simplesmente o adorava e ganhei meu dia com isto. Depois da aula fomos todos ao pátio e os pais já estavam lá- menos o meu. Pensei: " Ele disse que vinha, então ele vem!". Todo mundo então se preparou pra fazer a coreografia, que para meu maior medo, terminava com um abraço no papai respectivo. Onde eu irira colocar minha mão se papai não chegasse? Lembro que cheguei até a cogitar a hipótese de não dançar. Pelo menos assim sairia despercebida e não precisaria ficar ali.
Então todos começaram a dançar. Meu pobre coração a esta altura já estava a mil e esta foi a primeira vez em minha lembrança que engoli um choro. Fiquei com uma laranja enorme na garganta. Dançamos e cantamos toda a música...e as crianças olhavam para os seus pais, esperando a hora do abraço. Quando acabou a música, e todos abraçaram seus papais, eu já estava desatando a chorar. Ninguém talvez tenha percebido, porque meu choro foi tão silencioso quanto as lágrimas mudas que escorriam. Numa fração de segundo quando eu levantei a cabeça e olhei pela última e esperançosa vez para a porta, lá estava ele. Numa imagem recorrente de minha mente. Ele segurava na sua mão um CHARGE - desde então este é o meu chocolate predileto - e me deu um sorriso lindo.
Papai se aproximou e eu aproveitei para enxugar as minhas lágrimas infantis - "Ele veio como prometeu" - eu não queria parecer boba. Ele chegou de mansinho e pediu desculpas pelo atraso, disse que estava abarrotado de trabalho no banco. E meu mundo era só seu. E eu o amava tanto que já nem importava a que horas ele tinha chegado, ou se tinha visto a dancinha que passei uma semana ensaiando para ele. Eu o amava e nada importava além da sua presença ali. Tiramos uma fotinha linda, que infelizmente hoje nem sei onde está, mas diria que nosso amor ficou estampado nela. Nós ríamos bastante e apresentei-o para todas as minhas amiguinhas. Ele é meu orgulho. Cheguei em casa hiper feliz e nem lembrei de contar à mamãe que ele tinha se atrasado - talvez ela fosse brigar com ele e eu não queria que ele levasse bronca. Fique tão tão feliz em vê-lo que pra mim aquele foi o Dia dos Pais mais lindo de toda a minha vida, e de onde tiro lições até hoje. Neste dia eu aprendi que o amor compreende; que há que se persistir naquilo que se acredita; que devemos lutar todo dia por quem amamos.... E isto ele faz por nós ainda hoje.
E eu ainda o olho e o espero todos os dias como há 14 anos atrás.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Lista / Mãe.

[I]
Tenho esperado por aquela lista.
Tenho tentado esquecer de não lembrar daquela lista.
Por isso mesmo, tenho pensado mais ainda nela.
Nada de "meritocracias".
Só um nome no seu devido lugar ajudaria sensivelmente.
E quando ela sai?
Já nem sei mais, tamanha tem sido a espera.




[II]

Não saiu do meu pensamento.
E tem morado aqui há alguns dias aquelas lembranças de alguns anos.
E como a vida é engraçada - e divertida.
Nós dividíamos inseguranças, sonhos, desejos.
Sonhávamos com o príncipe encantado, com a aprovação ao fim do ano.
Dávamos risadas capazes de deixar sem graça o próprio objeto do nosso riso...
E a vida continuou.... mudaram os locais, talvez os sonhos, as novas experiências.
A distância soube ser inconveniente.
E o tempo insistente.
Então assisti de longe alguns fatos.
Deixei de relatar alguns atos.
E agradeço a minha capacidade de omissão.
Hoje este sentimento de alegria se reflete naquele sorriso de olhos cerrados que tenho visto por fotos.
Uma linda mamãe!
Nem sempre o caminho certo é aquele que julgamos ser e isto eu vi na sua vida - e na minha.
Estou feliz - muitíssimo feliz - com a felicidade alheia.
E isto não tem preço nem tamanho.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Teoria dos ditados.

Os ditados com certeza foram testados.
Afinal, quem iria reunir algumas palavras sem sentido e esperar que elas tivessem vida própria?
Sim....eles foram testados.
E eu os tenho testado na esperança de que falhem.
Ora! E quem disse que eles sempre tem razão?
Mas sim... devo admitir... o mundo dá voltas.
E as vezes ou as voltas são muito rápidas ou você está com sua capacidade de percepção, no mínimo, diminuta.
Foi o que eu pensei.
Ou seria uma tremenda falta de sorte?
[Tive medo].
Como tantas outras vezes, aquela espera foi mais cruel do que poderia.
As 15 vezes soaram como um milhão de vezes.
E se tivesse mesmo acontecido tudo aquilo que o velho pessimismo aliado a velhos ditados previra?
Talvez eu não estivesse aqui para contar a história.
E derramaria mais lágrimas do que já o tinha feito.
[Não é das lágrimas que tenho medo. É do espaço vazio que faria no fim de tarde.]
Mas novamente vi o outro lado...e no mínimo fiquei feliz por já tê-lo visto desde cedo.
Ainda que isto não diminua um milímetro de minha pobre "culpa" eu admiro e sinto muito por algumas pessoas.
Talvez elas nunca saibam ou nunca acreditem nisto.
E isto já não é mais tão importante assim.
Porque as aprovações ou desaprovações já não dizem nada.
Quanto aos ditados??
Vou testando.... e espero que os bons se repitam.
Os ruins... eu dispenso.

domingo, 3 de agosto de 2008

Efeito.

Somos engraçados.
E me ri disto hoje.
Não que já não soubesse...mas hoje especialmente foi engraçado.
É a nossa busca incessante pelo que não se sabe... e que finalmente algum tempo depois se descobre que nunca realmente vai saber.
Então adotamos algumas filosofias.
Pegamos emprestado algumas frases... reflexões... idéias tão de outros e tão nossas.
E isto ás vezes nos faz crer que sendo nós mesmos poderemos ser também outras pessoas.
E somos.
Somos a cada dia um só em milhões de tudo.
E nos escondemos de nós e dos outros.
Talvez como uma forma de pedir licença deste mundo.
De tentar ser mais amado do que se é.
E desta busca talvez nunca haverá uma volta.
Por que não há como voltar de onde não se pode ir.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Exclamação.

Sim, eu estou daquela maneira.
E talvez nada que seja dito.
Diminua a distância que está por vir.
Mas ainda tranquila - à espera.
Me apego a tudo aquilo.
A tudo que nos une.
E é por tudo isto que me conforta....
Que posso dormir bem nesta noite.