terça-feira, 8 de abril de 2008

.Torcicolo.

Eu deito no meu travesseiro incômodo mas já nem sei se ele incomoda ou minha cabeça é que está deveras pesada. Não sei. Preferia saber.
Enquanto vago pela "menina..." busco um sono que não vem de graça. Antes ele leva todos os meus pensamentos e não esqueço do picolé de morango daquelas férias e de tudo quanto mais me deixou assim. Alguma coisa mudou. Alguma coisa há muito tempo queria mudar. Fico a noite toda irrequieta e não me sai da cabeça......................Onde pôr a cabeça??? Já nem sei mais...

.Paciência é um dos meus
objetos de inveja.

sábado, 5 de abril de 2008

A companheira inadiável.

Mais uma vez vi a morte, enquanto a " Menina que roubava livros" tentava me convencer.
Três olhos azuis da cor do céu de junho; agora resta apenas um - aberto.
Eu vi as placas pretas e amarelas se somarem ao dilúvio de pensamentos e contei as cruzes espalhadas pelo acostamento de quase 250km. Será se ele estaria dirigindo ou pensando naquele tempo eterno? Foi o que pensei. Mas não ousei perguntar.
De vez em quando o silêncio era substituído pela característica conversa fiada dos Neivas, herança legada a gerações. Não produzi lágrimas. Chorei por dentro.
Aquela casa velha de dois séculos ainda tem sim o cheiro acre de seus cobertores e fico imaginando quantos risos ou lágrimas se escondem por trás de tantos anos. Quantas brincadeiras à mesa...quantas noites mal dormidas...quantos sonhos que se dissolveram... É ali onde estão os meus mortos. É ali que começa a minha história.
Do canto da sala salmão, a poucos quarteirões do casarão principal, as lágrimas eram ininterruptas e o cheiro inconfundível. Havia ali uma parte do início e um semblante do fim. Pela porta que a Morte entra a felicidade sai. Só depois de alguns mortos encarei aquilo com a naturalidade devida. Meu coração estava a mil. Mas não era só por isso.
Lembrei daquelas férias que mais parecem fotografias de um filme antigo. Aquelas lembranças guardadas com o sabor de picolés de morango. Nem mesmo um resfriado podia impedir. O segundo par de olhos azuis era doce. Guardava no olhar o sofrimento de uma vida que de fato não acompanhei, de perto.
Me aproximei das lágrimas e dos crisântemos. Só desejei poder ver novamente aqueles olhos azuis. Eles estavam cerrados. Sabia que nunca mais ofereceriam um picolé de morango. Me confortou a idéia de ainda haver um par.
Voltei daquela terra e cá estou viva. O bastante para poder não estar amanhã. Mas o que importa mesmo é hoje.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Ô chuva boa!

Êta chuva insistente que cai nesta janela fosca!! Para quem está acostumado àquele Sol de rachar, tenho sentido um frio que vem lá da espinha e uma preguiça de muito tempo atrás. Nada de disposição! Viva ao ócio e à oportunidade de pelo menos uma vez no ano sentir o luxo destas gotinhas milagrosas!
Depois daquela prova de estágio macabra nada me resta do que me recolher à minha insignificância e apelar para todos os santos para que os avaliadores encontrem 6 míseros pontinhos naquelas mais de 40 linhas.
É esperar e ver o que vai sobrar de mim!!!

sábado, 29 de março de 2008

aquela velha qualidade.

Eu faço parte de um sistema e o ciclo vicioso que interfere no andar da carruagem é apenas o meio encontrado para fugir daquilo que é o óbvio. E me irrito profundamente ao ouvir aqueles velhos comentários inúteis e fruto de uma percepção errônea do que é ser realmente sincero - ou não. Essa sinceridade inútil me "dá nos nervos"! Por que nem sempre o que se diz é o que se quer ouvir e no sistema de "dois pesos e duas medidas" há que se levar em conta não só o que você agrega mas também o que está agregado aos outros. Não suporto personalidades assim. Melhor dizendo, suporto. Mas não engulo. Tenho o dom nato do silêncio na hora certa. Eu ignoro.
Então tá....para aqueles que admiram profundamente tais indícios....estou sendo no mínimo intolerante com a intolerância alheia, ok??? Eu realmente nunca me deparei com nenhuma resposta surpreendente àquela velha pergunta: "Qual o seu defeito?". Só escuto dizer: " Sou bom demais, sou legal demais, sou feliz demais!!" Mas ainda não consigo explicar aquela mania de perseguição nata daqueles que acreditam ser "os espertos". Felicidade alheia incomoda! E muito!! O que custa admitir que somos às vezes invejosos, futriqueiros, incoerentes, falsos, preguiçosos, inúteis?? Acontece com todo mundo...mas não determina exatamente quem você é....
Vá digerir isso....dá mais dor de barriga ainda.

quarta-feira, 26 de março de 2008

0,15%

Eu vi o alvoroço inexplicável, mas não entendi porque outras questões não possuem tanta repercussão quanto aquilo lá!
O orgulho piauiense encontrou alento nos próximos 15 minutos de fama....Mas ainda continuará por tempos sepultado pela ignorância velada.
Quem se importa?? Eu....
Enfim...um entretenimento apenas.

"Existirmos
A que será que se destina
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tão pouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A Cajuína cristalina em Teresina"

Vamos ficar de olho na Sara Menezes, ok??

terça-feira, 11 de março de 2008

O primeiro beijo.

Tinha um lado cor de rosa, um jeans novo, uma roupa emprestada e um sapato bem lustrado. O cinto já nem me lembro se estava lá, mas ficou amarrado a milhões de outras coisas. Havia ainda duas pulseiras em uma mão que já não era tão sozinha...transformara-se em duas pouco tempo depois... Ríamos da música, da dança, das conversas altas abafadas ao pé do ouvido. Uma amiga estava lá e passou rapidamente de ex para um cupido nada discreto...eu jamais entenderia até aquele segundo na entrada que todas as nossas gargalhadas entre os problemas matemáticos e as caronas de fim de tarde poderia terminar(ou começar!) assim. E não imaginava mesmo. Ele tinha 2 brincos na orelha e eu ainda tinha bonecas na minha estante. O cheiro irresistível do Armani nunca mais fugiu aos meus sentidos... Até então era só a madrugada de domingo, 11 de Março de 2001... Seria sim só a madrugada de domingo.
Aquela velha amiga só precisava de um pedaço de bolo e alguns segundos para mudar tudo aquilo que ainda poderia vir. Umas chaves perdidas e um sorriso tímido recostaram sobre os anos seguintes a
responsabilidade daquele instante...e o quão a vida pode nos reservar em apenas um segundo...E foi aquele segundo que guardamos adoravelmente em nossas lembranças e em contos aos amigos sempre tão carinhosos e atentos.
Já recontamos mil vezes esta história para nós mesmo e ela sempre tem a leveza estática de um momento único. Desde então estamos aqui.... e nunca em tempo algum alguém dirá que não foi especial. É o nosso tempo.



"Se eu me prender que seja aos meus sonhos e à minha liberdade e que eu possa seguir sempre em frente olhando nos teus olhos. Não esqueça a mágica dos domingos, o sorriso das manhãs e o sorvete do fim de tarde, pois tanto quanto maior é o tempo, maior é a vontade de ficar juntos."



Um perído bem especial e mágico.....

sábado, 8 de março de 2008

08 de março.

Eu ouço dizer, desde há muito tempo atrás, sobre tudo que conquistamos. E não tão tarde, creio que tudo que se diz a este respeito é sim verdade tão quanto é mentira. Somos sim mulheres de nossa época, multifacetadas, dinâmicas, sensíveis, idealistas, persistentes....Entretanto a cada dia nos aprisionamos naquilo que supomos ser o supérfluo, mas que a toda hora nos apresenta como essencial. Somos escravas da luta acirrada para nos igualarmos ao comportamento masculino, e queria Deus que todas aquelas que desejam se equiparar desta maneira não o façam, pois deixaríamos de ser nós mesmas. Lutamos contra os preconceitos mas o mantemos próximo para no caso de precisar chamar aquela garota simpática e reconhecidamente linda de vadia, quando os homens simplesmente babarem por ela. Nos curvamos aos benefícios estéticos do nosso tempo e passamos a venerar a perfeição estética sem considerar o brilho particular de cada imperfeição que nos cerca. Construimos com nossas delicadas mãos o nosso castelo na mesma proporção em que o destruímos. Ainda temos muito o que fazer por todas nós.